quinta-feira, 25 de março de 2010

Episódio .

"Mais uma vez lidava com a morte.
Como é que uma coisa tão natural nos pode afectar tanto? É um ciclo! Nascemos, vivemos e morremos. Claro que há mortes e mortes... Aceita-se mais facilmente a partida de alguém que já viveu muito, que parece estar a chegar ao final do ciclo natural das coisas, do que a partida de alguém que não viveu nem metade de uma vida! Esta aceitação também depende da proximidade das pessoas.
Mesmo depois de passar por este processo, continuo sem conseguir raciocinar sobre tal, saber como falar. Apenas sei que odiei que me tivessem dito "Os meus pêsames, querida!" ou "Os meus sentimentos...". Quero lá saber dos sentimentos dos outros! Tenho os meus e chegam-me, já são suficientemente maus!
O tempo passa depressa e já lá vão quase...3 anos... 3 anos e ainda parece tão...verde! Mal me consigo lembrar com precisão das coisas, mas lembro-me do último dia. Aquele dia em que nos reaproximámos e senti necessidade de lhe dizer o quanto significava e de sentir o abraço dela.
Mais tarde ou mais cedo sentirei tudo de novo. Mas será diferente, desta vez será o ciclo a finalizar-se, duas vidas já com tão grande história. Vou chorar, vou sentir falta, mas não perguntarei porquê. Direi que tinha de ser assim e que será, de certa forma, um alívio para todos."


STOP! chega deste assunto*





#Força minha Papagaia =)  <3

Escrever .

Hoje preciso de escrever. Não é por me apetecer, é mesmo uma necessidade!

Cheguei a mais um dia em que bateu no fundo. E é neste preciso momento em que paro e as lágrimas me vem aos olhos, que vejo que há dias em que vivo atrás duma personagem ficcional e não real. Esta casa é o meu palco...e aqui represento a menina pequena que fui, a menina querida de todos que gosta de toda a gente, a menina inconsciente que não percebe o que se passa há volta dela.

Parecia estar melhor, mas não! Hoje notei mais do que notava antes a sombra da depressão. E a confusão que me fez! Aquele homem está metido numa depressão há mais de um ano! Que se passa naquela mente? A parte intelectual foi-se! Puff! Apagou-se a matemática toda! E depois aquele ataque de nervosismo! De onde surgiu? Que se passou nele para se revelar aquilo?

Não percebo... :/ Não sei se quero perceber... Mas afecta-me! E afecta-me de uma maneira que não consigo evitar e dói cá dentro!

E o meu Anjo bateu asas e voou...só ficou lembrança de uma vida. E protecção? Quem me protege? Ainda ai estás a proteger-me? *

domingo, 7 de março de 2010

Envio .

Hoje fui enviada pelos Franciscanos, como Leiga Missionária. Enviaram-me em nome Dele, numa missão que começa apenas daqui a mais ou menos quatro meses. Dele... não! Vou em nome da Humanidade, daqueles que precisam, em nome da Vida! E vou...não vou...porque quero, foi-me praticamente imposto. Ponderei e achei que talvez fosse bom, talvez fosse uma experiência, que alguém se lembrou de me proporcionar, que eu nunca me havia lembrado de fazer! Isso mesmo, nunca por iniciativa própria iria...
Do que vi, do que ouvi, do que senti hoje, concluo que estou tudo, menos preparada para viver esta realidade. Apercebi-me do quanto será pesado todo aquele aglomerado de coisas: tipo de vida, rotina, ritmo, actividades, vivências, sentimentos, etc. Serão as quatro semanas mais longas e curtas da minha vida.
Não que ainda muito motivada (nada, na verdade) para esta experiência, vou com o propósito principal de prestar serviço aos que mais necessitam (espero trabalhar com as crianças do jardim de infância “Os Patinhos”), e ainda com o propósito de alargar não só a minha experiência de vida, mas também os meus limites.
Um mês fora de Portugal, sem poder praticamente contactar com os que me são essenciais, sem as tecnologias a que estou habituada, todos os dias, por perto, com um sol abrasador (já estou farta de chuva, é verdade), uma rotina e horários diferentes. Vou estar acompanhada, mas vou sentir-me sozinha, como tantas outras vezes já me aconteceu. Esta última parte, faz-me ter medo, baseado nas histórias que ouvi, criei medos, parvos ou não, já existem! Tenho medo do quão diferente voltarei (dizem que se volta muito diferente), tenho medo de me sentir muitas vezes sozinha (dizem que a solidão é muito má), tenho medo de adoecer e dos bichos (dizem que há muitos), tenho medo de não me adaptar, tenho medo das saudades que vou sentir, tenho medo...
Poço de dúvidas *