domingo, 7 de março de 2010

Envio .

Hoje fui enviada pelos Franciscanos, como Leiga Missionária. Enviaram-me em nome Dele, numa missão que começa apenas daqui a mais ou menos quatro meses. Dele... não! Vou em nome da Humanidade, daqueles que precisam, em nome da Vida! E vou...não vou...porque quero, foi-me praticamente imposto. Ponderei e achei que talvez fosse bom, talvez fosse uma experiência, que alguém se lembrou de me proporcionar, que eu nunca me havia lembrado de fazer! Isso mesmo, nunca por iniciativa própria iria...
Do que vi, do que ouvi, do que senti hoje, concluo que estou tudo, menos preparada para viver esta realidade. Apercebi-me do quanto será pesado todo aquele aglomerado de coisas: tipo de vida, rotina, ritmo, actividades, vivências, sentimentos, etc. Serão as quatro semanas mais longas e curtas da minha vida.
Não que ainda muito motivada (nada, na verdade) para esta experiência, vou com o propósito principal de prestar serviço aos que mais necessitam (espero trabalhar com as crianças do jardim de infância “Os Patinhos”), e ainda com o propósito de alargar não só a minha experiência de vida, mas também os meus limites.
Um mês fora de Portugal, sem poder praticamente contactar com os que me são essenciais, sem as tecnologias a que estou habituada, todos os dias, por perto, com um sol abrasador (já estou farta de chuva, é verdade), uma rotina e horários diferentes. Vou estar acompanhada, mas vou sentir-me sozinha, como tantas outras vezes já me aconteceu. Esta última parte, faz-me ter medo, baseado nas histórias que ouvi, criei medos, parvos ou não, já existem! Tenho medo do quão diferente voltarei (dizem que se volta muito diferente), tenho medo de me sentir muitas vezes sozinha (dizem que a solidão é muito má), tenho medo de adoecer e dos bichos (dizem que há muitos), tenho medo de não me adaptar, tenho medo das saudades que vou sentir, tenho medo...
Poço de dúvidas *

1 comentário:

  1. "O medo é uma experiência universal. Até o insecto mais pequeno o sente. (...)Não é assim tão terrível sentir medo face ao desconhecido. Isso faz parte de estarmos vivos, é algo que todos partilhamos. (...) O medo é uma reacção natural na aproximação à verdade."

    etc. etc. excerto do livro "Quando Tudo se Desfaz", da monja budista Pema Chodron

    Sugere ela mais à frente, "da próxima vez que sentir medo considere-se uma pessoa de sorte. É aí que a coragem entra em jogo. Normalmente pensamos que as pessoas corajosas não têm medo. A verdade é que elas estão familiarizadas com ele."

    Eu acho que tu tens muita sorte em poderes ter sido escolhida por Ele para fazeres esse trabalho :) Acho que é motivo para seres muito grata. Mas pronto, isto é o que eu acho... todas as tuas dúvidas e medos são legítimos... é com eles que crescemos, sobretudo quando temos coragem dos questionar e enfrentar.

    é engraçado porque hoje estive com missionários. Estão cá em São Marcos uma dúzia deles, de várias congregações e de vários países. Estes não são leigos.

    beijo

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