Quem é?! Ah é aquela rapariga de cabelos encaracolados a puxar para o afro que anda sempre sorridente!
Saber a arte de representar é tão...enganador! Quem é a pessoa que quer mostrar as suas fraquezas? Quem é a pessoa que quer dar a conhecer ao mundo as suas dificuldades? Quem é a pessoa no mundo que quer comparar a não assim tão má vida com a vida que levam os dos países subdesenvolvidos? Quem é que quer comparar a sua "vida difícil" à vida das gerações futuras de África?
NINGUÉM!!
Mas há dias em que reparamos que precisamos de um reset. Precisamos de baixar as armas e parar de nos defender contra os outros. Somos fracos?! Somos! Não podemos ser sempre fortes, não podemos querer mostrar a força que não temos. Não podemos... Não posso...
Estou cansada de fingir todos os dias que está tudo bem, que cresci enquanto tudo me passava ao lado, que sou uma inconsciente e não percebo o que se passa à minha volta. Estou cansada de ignorar que não tenho traumas, que sempre vivi uma vida perfeita, que não há problemas de qualquer espécie.
Tive a sorte de nascer na família em que nasci, tenho sorte em ter os pais que tenho (apesar de tantas vezes me queixar que são uns chatos e que não me deixam fazer isto ou aquilo), tenho a sorte de ter o irmão que tenho: todos os dias aprendo com ele, todos os dias agradeço ter nascido sem qualquer problema, todos os dias compreendo um bocadinho melhor as dificuldades do dia-a-dia, todos os dias percebo o quanto é bom termos pessoas que se preocupam e querem ajudar e por vezes manda-mo-las embora como tantas vezes ele faz...tenho aprendido que devo ter mais paciência com ele, que devo aproveitar enquanto posso estar presente e não sou senhora da minha vida. É quando estou longe que vejo que me fazem falta, que gosto muito deles, que gosto do meu irmão como nunca disse que gostava (pelo menos que me lembre).
Sempre me mostrei indiferente a tudo isto...sempre mostrei que não me interessava...menos quando era mesmo necessário. Nunca me explicaram, nunca quis perguntar, percebi sozinha, preocupei-me sozinha. Lembro-me de no meu 6º ano terem chegado ao pé de mim e me terem dito que ele tinha tido uma crise, caído e batido com a cabeça. Não me lembro de alguma vez ter corrido tão depressa, não me lembro de alguma vez ter reagido tão depressa: sei que corri e quando lá cheguei já estava bem...mas assustou-me! Assusto-me sempre, mesmo já estando habituada desde que me lembro.
Tenho sorte (ou azar) de já ter aprendido com o que vivi/vivo. Vou ganhando experiência de vida com este e aquele episódio com que me deparo.
Sei que tenho razões para sorrir todos os dias...mas hoje, de há umas horas para cá, está difícil!
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